Destaques do setor – 12 de julho de 2019

São Paulo, 12 de julho de 2019

A criação de uma nova marca levou a Estácio à capa do Valor desta sexta. O jornal registra que a segunda maior companhia de ensino superior do país terá um novo nome para sua holding: Yudqs. A reportagem é conduzida pelo presidente Eduardo Parente, que conquista ampla foto na edição. As atuais instituições que pertencem ao grupo continuarão com a bandeira Estácio. Segundo o jornal, a adoção da marca é uma das etapas do plano estratégico da companhia para os próximos cinco anos, que será apresentado ao mercado em outubro. A mudança foi registrada também pela Agência Estado, em matéria reproduzida pelo portal Terra e o site da revista Isto É.   

Na cobertura do setor, o Valor traz ainda avaliação de especialistas de diversos países de que o melhor modelo para o crédito estudantil universitário é aquele adotado em países como Austrália e Reino Unido, onde o pagamento é atrelado à renda futura do estudante, em vez de apenas ser parcelado para o pagamento após sua formatura. Em outra frente, o plano de ações para o ensino básico anunciado ontem pelo Ministério da Educação está nos principais jornais desta sexta-feira. O destaque em Folha, Globo, Valor e Estado é a criação de 108 escolas cívico-militares, ao custo de R$ 40 milhões anuais. A medida, promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro, tem por objetivo melhorar o desempenho dos alunos em avaliações da educação básica. O governo também promete construir 5 mil creches até 2022, entre outros pontos. 

ESTÁCIO

A reportagem na capa do caderno Empresas do Valor salienta que a mudança da Estácio para Yudqs visa a abrir novas frentes de negócios e atingir públicos distintos. O jornal cita, como exemplo, a compra de uma faculdade premium com a manutenção de sua bandeira original, já que no setor de educação a força do nome da instituição é um ativo relevante. Eduardo Parente afirma ao Valor que o redesenho permitirá ainda alocar esforços específicos para áreas consideradas promissoras. “O grande exemplo é o curso de medicina que teve um foco muito maior recentemente e atingiu 3,5 mil alunos no ano passado”, afirma. O presidente do grupo explica ainda ao jornal que a nova estrutura é mais flexível e “possibilita capturar maiores oportunidades de crescimento orgânico e fusões e aquisições”. A Estácio, lembra o Valor, era a única dos quatro grupos listados na Bolsa (que incluem Anima, Kroton e Ser Educacional) a usar a mesma bandeira para a holding e suas universidades. O jornal sublinha também que Parente foi contratado com a missão de trazer crescimento à companhia e que, sob sua gestão, a Estácio aposta no ensino a distância, segmento que cresce a taxas de 20% ao ano. 

A Agência Estado também registra a mudança em reportagem menor, em que destaca que o objetivo da Estácio é dedicar recursos em negócios já existentes, adotar posicionamentos diferentes com novas marcas e desenvolver novos negócios. O site pontua ainda que denominação social “Estácio Participações” e os códigos de negociação de ações na B3 e em Nova York não serão alterados. O texto foi reproduzido pelo portal Terra e o site da revista Isto É.

SETOR E CONCORRENTES

Especialistas reunidos em evento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) defendem que o financiamento estudantil adotado pelo Brasil deveria seguir o modelo de outros países como Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido, onde o estudante começa a pagar de volta o dinheiro não quando se forma, mas apenas quando atinge uma renda mínima pré-estabelecida. Assim, pontuam os especialistas, o governo diminui o risco de inadimplência e aumenta o estímulo ao ingresso na universidade. Nesse sistema, a porcentagem da renda anual a ser paga parte de 1% e cresce à medida que os rendimentos do trabalhador aumentam. Caso a renda volte a cair, ele pagará alíquota correspondente. Para isso, contudo, há obstáculos, como a criação de um sistema automático para identificação da renda do formando, além da volatilidade das taxas de juros brasileiras. 

O plano de ações apresentado pelo MEC traz a retomada de políticas de governos anteriores que estavam esvaziadas, salientam os jornais. Entre elas, o incentivo ao programa de escolas de tempo integral, garantia de internet banda larga em 38,5 mil escolas, criação de 5 mil creches, política de formação de professores e recursos para a reforma do ensino médio. Especialistas ouvidos pelo Estado veem sinal positivo no esforço de continuidade, mas reclamam da falta de detalhamento sobre como serão feitas as ações. A única a ganhar prazo e orçamento definidos foi a ampliação das escolas cívico-militares, que deve beneficiar apenas 108 mil alunos. O projeto tem ainda resistência entre educadores. Ouvidos pela Folha, especialistas pontuam que o modelo não traz melhores resultados do que os institutos federais exclusivamente civis. O ministro Abraham Weintraub defendeu ainda a redução do percentual de 10% do PÌB que o governo é obrigado a investir na área. Ele afirmou que a questão não é “jogar mais dinheiro” e, sim, ter metas de desempenho.

Outra política do Ministério da Educação foi alvo de críticas. Dois sociólogos franceses, Luc Boltanski e Arnaud Esquerre, condenaram a decisão do governo de diminuir recursos destinados às áreas de humanas. Participantes do congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia, que ocorre nesta semana, eles dizem que o erro está em assimilar o exercício crítico inerente a essas disciplinas como algo nocivo à práxis do poder. 

Uma proposta de reforma das universidades brasileiras é apresentada pelo sociólogo Simon Schwartzman, em artigo no Estado. Ele sugere uma modernização do atual sistema, estabelecido em 1968, para a adoção do modelo americano, de cursos escalonados. Nele, a universidade é dividida em dois níveis, um primeiro, com o aprofundamento em áreas como ciências sociais ou biológicas, e o segundo, equivalente a um mestrado, em que o estudante se profissionaliza em áreas como administração, engenharia ou comunicações. As carreiras mais complexas, como medicina, ficam num terceiro nível, equivalente a um doutorado.  

REDES SOCIAIS

Os posts no Facebook e no Instagram apresentando a modalidade Flex da Estácio têm boa recepção entre os internautas. No Facebook, além das curtidas, há comentários de amigos elogiando a aluna retratada na foto. 

O setor educacional não conquista destaque entre os temas mais comentados da rede na quinta-feira. A reforma da Previdência segue em alta entre os comentários no Twitter, dividindo espaço com a Magazine Luiza após episódio em que um erro no sistema do varejo disponibilizou cupom de desconto de R$ 1.000. 

Estácio busca novos negócios, Valor, B1

Estácio aprova criação de nova marca para a companhia, a Yudqs, Agência Estado

Estácio aprova criação de nova marca para a companhia, a Yudqs, Isto É online

Ligar crédito estudantil à renda futura é melhor saída, dizem analistas

Valor, A6

Gestão Bolsonaro promete 108 escolas cívico-militares e 4,9 mil creches no País, Estado, A16

Governo planeja implantar 108 escolas militares até 2023, Folha, B2

MEC detalha plano para o ensino básico, Globo, 23

MEC promete criar 108 escolas cívico-militares até 2023, Valor, A6

A OCDE e as universidades brasileiras, Estado, A2

Sociólogos franceses criticam ataque às humanas, Folha, B2