Presidente Bolsonaro assume sob pressão do público nas redes sociais: confiança é de 39% em janeiro

Percepção sobre o governo é impactada por indefinições na área econômica e polêmicas verbais dos representantes das pastas

Percepção sobre o governo é impactada por indefinições na área econômica e polêmicas verbais dos representantes das pastas sociais. Episódio de Flávio Bolsonaro desgasta por representar manutenção de privilégios: 85% de negatividade nas redes

  • Em apenas cinco dias, a tragédia de Brumadinho representou 3% das manifestações nas redes sociais de todo o mês de janeiro.
  • O presidente Jair Bolsonaro assumiu seu mandato no último dia 1º de janeiro após receber os votos de mais de 57,7 milhões de brasileiros. A votação expressiva, correspondente a pouco mais de 55% dos votos válidos, não garantiu um início de governo em clima de lua-de-mel com a sociedade brasileira. Das manifestações sobre o novo governo nas redes sociais, apenas 30% são positivas. O governo domina 65% das discussões no Twitter no primeiro mês de janeiro e derruba a confiança da sociedade.
  • No conjunto dos temas analisados pela .MAP – nas áreas de Política, Economia e Bem-Estar – a positividade em janeiro é de 32%. É a terceira queda consecutiva, para o piso da série. O resultado só não perde para maio, mês da greve dos caminhoneiros, que fechou com 23% de positividade. Para o professor da USP e consultor técnico da .MAP, Heron do Carmo, “Não era de se esperar que o governo começasse com apoio total, pois as feridas das eleições ainda estavam abertas. Mas é um início de bastante pressão”, afirma.
Evolução – volume de manifestações e positividade
Fonte: .MAP
  • No debate sobre o governo Bolsonaro, mantêm-se as expectativas favoráveis para a economia, sobretudo entre formadores de opinião e especialistas. Mas o bate-cabeça entre possíveis iniciativas na área econômica foi percebida pelo público como falta de coesão e definições da equipe e sinais de disputas internas, capazes de fragilizar a aprovação das esperadas reformas. É na equipe das áreas sociais, porém, que se encontra a maior fonte de manifestações negativas. Os episódios polêmicos envolvendo ao menos três ministros não foram poupados do julgamento das redes sociais. A ministra Damares da Silva, mesclando religião com ciência, educação e política, somada à declaração de que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”, destaca-se entre os alvos preferidos da pauta progressista no campo social. As críticas aos ministros explicam a percepção mais positiva em relação a Jair Bolsonaro, de 39%,que sobre seu governo, de 30%.
  • Flávio Bolsonaro contribui para a desconfiança. O filho do presidente, associado a movimentações atípicas em sua própria conta bancária e na de seu ex-assessor, Flávio Queiroz, fecha o mês com 15% de manifestações favoráveis. O senador pelo PSL impulsiona a discussão sobre Corrupção nas redes, o segundo tema mais debatido, com 6% de participação e 10% de positividade. Uma positividade de 10% restrita a eventos de punições.
  • Logo em seguida, com 5% de participação, está o Desarmamento, apoiado por 62% dos internautas. Para parte das redes sociais, a medida que flexibilizou o porte de armas, confirmada nos primeiros dias do governo, foi “marqueteira” e, de forma inversa ao esperado, tende a aumentar a violência.  Sérgio Moro, pelo outro lado, figura com os mais altos índices de positividade do mês, de 39%, idêntico ao do presidente.
Participação por assuntos (Política, Economia e Bem-Estar)

Fonte: .MAP

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