Campanha presidencial entra de vez no debate e encontra agenda social progressista

Manifestações positivas superam 50% pela primeira vez em 15 meses; Bolsonaro atinge 83% de participação nas redes, mas

Bolsonaro atinge 83% de participação nas redes, mas apoio cai, após presença no Roda Viva, na última semana de julho

A entrada definitiva das campanhas eleitorais nas redes sociais foi um dos principais fatores a levar o IP Brasil Opinião a fechar julho com 54% de positividade. É a primeira vez em 15 meses que o índice ultrapassa o patamar de 50%. A discussão política acelerou na última semana do mês, quando as Eleições passaram a responder por 30% do debate total, impulsionada pela proximidade do prazo final para a confirmação de candidaturas e alianças. Até o dia 24 de julho estava em 20%. E foi a participação de Jair Bolsonaro (PSL) no programa Roda Viva, na última segunda-feira, que inflamou o debate. O candidato concentrou 83% das manifestações sobre eleições registradas nas redes sociais, na última semana do mês de julho. Em foco, a repercussão de seu desempenho e temas políticos e sociais debatidos no programa de entrevistas. O saldo para o deputado, contudo, é desfavorável. Ele fecha o mês com 42% de manifestações positivas, mas, até antes da entrevista, acumulava 60%. A semana do encontro com os jornalistas provocou a queda para 37%.

Lula, em segundo lugar, conta com apenas 9% de participação na última semana, ante média de 53% mensal registrada no neste ano. Foi intensa a perda de espaço do ex-presidente, em julho, refletindo isolamento das manifestações e discurso direcionado aos manifestantes. O show realizado no centro do Rio de Janeiro a favor de sua liberdade, no último sábado, 28, com a presença de artistas e intelectuais ilustres, por exemplo, teve repercussão contida entre formadores de opinião na Imprensa e opinião pública nas redes sociais – restrita aos perfis de políticos e apoiadores do Partido dos Trabalhadores.

Participação dos candidatos à presidência em julho
Fonte: .MAP

Ao lado da Política, que no mês responde por 49% das discussões, os temas do Bem-estar se consolidam no foco do debate do público, com 44% de participação. Em pauta, o reconhecimento e intolerância da sociedade brasileira em relação a episódios de racismo, preconceito e violência contra a mulher. A discussão sobre as candidaturas se dá, portanto, em ambiente de novas exigências sociais e culturais, conforme mostra a análise dos temas de Bem-Estar realizada pela .MAP. “De olho neste ambiente, Jair Bolsonaro fala sobre esses temas de Bem-estar e é possível notar que suaviza na forma de colocar posições, ainda que não altere suas convicções. A diversidade, em seus múltiplos aspectos, assim como a urgência na segurança e educação, está consolidada na agenda social e os candidatos terão de adotá-la se quiserem falar para além dos convertidos. Bolsonaro não evita esses temas”, afirma a diretora-geral da .MAP Marília Stabile. O professor Heron do Carmo, especialista em índices e consultor técnico da agência de análise, complementa: “A pauta da sociedade é progressista e os candidatos não poderão se furtar de se posicionar sobre essas questões”. No foco de Bolsonaro, além da tradicional bandeira da Segurança, entram as mulheres – e o esforço em afastar o selo de misoginia que o acompanha. Um dos tuítes mais repercutidos do candidato nesta semana aponta também um terceiro tema entre aqueles que devem se estabelecer em seu discurso de campanha: o desemprego.

Publicação do perfil oficial de Bolsonaro

Fonte: .MAP

A busca por uma vaga de trabalho é, desde o início da série histórica do IP Brasil Opinião, há três anos, o principal assunto debatido pela sociedade dentro da Economia. Em julho, ganha por companhia o descontentamento com a nova lei de uso dos agrotóxicos – com apenas 6% de manifestações favoráveis – e com o movimento de alta do dólar, em mês de férias escolares.

Participação dos temas de Economia, nas manifestações do público geral

Fonte: .MAP

Campanhas nas redes sociais

Com estimados 8 segundos de tempo de propaganda gratuita na TV, Bolsonaro continua com campanha centrada nas redes sociais e, desde maio, conquista o maior número de seguidores no Twitter – 58,3 mil. No total, possui 1,2 milhão. No Facebook, vai ainda melhor em termos absolutos, com 92,3 mil novos seguidores conquistados, totalizando 5,4 milhões. Mas fica atrás de Manuela D´Ávila, que ganhou 109,5 mil seguidores (total de 229,5 mil), de João Amôedo, com mais 322,5 mil (total de 1,2 milhão) e de Lula, que soma 97,9 mil novos seguidores, totalizando 3,5 milhões.

Pelo outro lado, os números confirmam as apostas de Geraldo Alckmin na propaganda em TV. O candidato do PSDB priorizou as articulações, levou o apoio do centrão e soma quase 7 minutos de TV por bloco. As redes sociais não estavam, até julho, no foco da estratégia do tucano, o que mostra a existência de espaço para ampliar sua atuação. Entre maio e julho, Alckmin perdeu 29,9 mil seguidores no Twitter e ganhou apenas 10 mil no Facebook – número maior apenas que o de Marina Silva.

Número de seguidores dos candidatos à presidência no Twitter
Fonte: .MAP

Número de seguidores dos candidatos à presidência no Facebook

Fonte: .MAP

Perfis suspeitos

A análise da .MAP identificou que, desde abril, 6% das manifestações sobre os candidatos realizadas no Twitter foram geradas por perfis suspeitos. Esses perfis têm em comum o compartilhamento sistemático de posts a respeito de um mesmo tema, a ausência de imagens ou fotos que possam identificar o internauta e a elevada frequência de postagens. Em alguns casos, fica evidente que se tratam de robôs. Em outros, pessoas parecem atuar por trás desses perfis, com o objetivo único de apoiar ou criticar um candidato.

A polarização Bolsonaro x Lula que marcou o debate das redes sociais nos últimos meses aqui também se impõe. No total de manifestações geradas por perfis de falsa identidade, 83% tinham o objetivo de promover e manifestar apoio a Jair Bolsonaro; 10,5% estavam direcionadas a atacar Lula e o PT e 5% a defender o legado e a índole do ex-presidente do Partido dos Trabalhadores.

Manifestações geradas por perfis suspeitos
Fonte: .MAP

Os perfis suspeitos que defendem Lula e o PT têm abordagem direta. Os elogios ao ex-presidente, a lembrança do legado de suas gestões e o pedido de liberdade, destacado pela hashtag #lulalivre, dão o tom. Já as páginas que o atacam são, em sua maioria, também claras neste objetivo. A corrupção é a principal crítica. Mas o arsenal se amplia. Para disseminar a crítica, vale também enaltecer Sérgio Moro.

Os perfis de falsa identidade que se manifestam pró-Bolsonaro contam com abordagens diferenciadas. Na maioria, é explícito o apoio ao candidato do PSL. Neste caso, fica clara a estratégia de se aproximar do público feminino, a partir de perfis suspeitos de mulheres que enfatizam serem eleitoras do candidato.  Algumas se posicionam contrárias ao movimento feminista e até mesmo criticam a lei do feminicídio. O arsenal do ex-deputado vai além. Páginas que se dedicam a defender a intervenção militar, e outras que levantam a bandeira da família, da religião, contra gays e contra as drogas também são usadas para promover o candidato, a partir da disseminação de valores associados à sua imagem.

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