Onde encontrar a sociedade ideal

Enquanto a maioria das pessoas perde/gasta tempo em futilidades, o mundo que faz o mundo girar mantém seus

“Somos uma sociedade rasa, debatedora de manchetes de facebook”. O sistema financeiro brasileiro nada mais é do que uma “máquina de concentração de riquezas”. Duas declarações de Eduardo Moreira, sócio-fundador da gestora de recursos Plural Capital e ex-sócio do Banco Pactual (hoje BTG Pactual), dão bem uma ideia do nosso Brasil. Enquanto a maioria das pessoas perde/gasta tempo em futilidades, o mundo que faz o mundo girar mantém seus privilégios e amplia sua distância dos que sonham vida de milionário com investimento de pequenas quantias resultantes de valiosos tempos de trabalho.

O que pode mudar essa situação? O conhecimento. Como se adquire conhecimento? Não é indo comprar numa instituição financeira.  A forma mais enriquecedora de adquirir conhecimento, além de seguir os ditames da Educação, é nas lides da Cultura. E o que é Cultura?, surge a pergunta.

Cultura é um corpo complexo. Conceito de características associadas à evolução, transforma-se através das gerações. Reúne um conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais. Resulta de hábitos e aptidões adquiridos em família e na sociedade, que tanto estão geralmente representados como sofrem influência da arte, das crenças, da lei, da moral e dos costumes.

Para chegar num equilíbrio econômico, de quadro inverso ao definido pelo empresário, deveríamos seguir a definição biológica de cultura: a criação especial de organismos para fins determinados. Estaríamos obrigados a estabelecer um rigoroso e atualizado plano de Educação e favorecer todo tipo de arte que nos alimente culturalmente.

O ser resultante daria menos importância e, por isso, praticamente não disseminaria fake news; gastaria seu tempo em conteúdos enriquecedores; valorizaria nossas raízes; reduziria a índices insignificantes o preconceito e o racismo; contestaria práticas abusivas que alimentam a engrenagem da “máquina de concentração de riquezas”; enfim, resultaria numa sociedade ideal.

Tudo indica que a sociedade tem tal perfil porque o mundo que faz o mundo girar e alimenta um comportamento hoje condenado até por quem o integra foi formado por pessoas cujo valor cultural nunca esteve na ordem de suas prioridades. Sua fórmula – a exploração do outro – fornece combustível para sua conta bancária e vida abastada. Mal vê que a evolução condena a exploração predatória. Da natureza ou do ser humano. Sente, nessa condição, parodiando Gabriel Garcia Marques, a “crônica de uma morte anunciada” que vaticinando, como Esopo, está matando “a galinha dos ovos de ouro”.

Sobre Antônio Mafra

Jornalista com mais de 35 anos de profissão. Atuou nas redações de O Globo, Revista Visão e Jornal da Tarde. Foi assessor de imprensa da Firestone, da Secretaria do Planejamento e da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Integrou a diretoria da Associação Brasileira de Marketing Promocional (AMPRO) e foi editor e publisher da revista Viver Psicologia. Desde 1989 está à frente da Textos & Ideias Comunicação, onde desenvolve também atividades de criação e produção de eventos socioculturais. Complementou sua formação acadêmica com o Master of Business and Administration Economia do Turismo pela Fipe - USP, onde também fez o curso de História (incompleto). Dá aulas de Escrita Possível e há mais de dez anos promove Cultura para seu grupo Amigos da Cultura.