Pessimismo sobre o Brasil atinge 77% em maio, mas perde fôlego na primeira semana de junho; política volta a dominar debate

Economia atinge o recorde de 44% de participação com a greve dos caminhoneiros em maio, mas já recua

Economia atinge o recorde de 44% de participação com a greve dos caminhoneiros em maio, mas já recua para 17% na primeira semana de junho

Maio foi marcado por um “furacão” que durou dez dias: a greve dos caminhoneiros. Até o dia 20 do mês passado, os temas de economia ocupavam apenas 5% das manifestações da opinião pública nas redes sociais e dos formadores de opinião (grupo formado por imprensa, influenciadores digitais, movimentos, políticos, partidos e instituições). Entre o dia 21 e o fim de maio, essa participação subiu para 44%, com uma percepção negativa de 98%. Passado o tormento – apoiado pela sociedade, as discussões em junho retomam o leque de assuntos similar ao observado antes da paralisação, com predomínio de manifestações sobre os pré-candidatos e de temas que afetam diretamente o cotidiano, como diversidade e emprego. É o que mostra o IP Brasil – Opinião, índice elaborado pela agência de análise MAP que mede o apoio da população aos principais assuntos discutidos na sociedade.

Com isso, o IP Brasil – Opinião registra que o pessimismo recuou de 77% para os atuais 65%. O IP, portanto, atinge 35%, na primeira semana de junho, como mostra o gráfico abaixo. O índice varia de 0% a 100% e é mais positivo quanto mais próximo de 100%. Vale destacar, no entanto, que 35% é considerado o limite de crise, ou seja, apesar da melhora, o indicador volta apenas à estabilidade baixa que vinha sendo mantida nos últimos meses.

O movimento de maio é “superlativo”, os sinais da crise são estridentes e podem continuar, mas não são estruturais, ao menos na economia. O ambiente é de incertezas e instabilidade, mas pode ser passageira, diz Heron do Carmo, professor da FEA-USP e consultor da MAP. Ele explica que números de inflação, de câmbio e o próprio processo eleitoral trazem oscilações no humor da sociedade. “Os índices de inflação de 12 meses devem subir neste mês, mas até por efeito estatístico, porque saem da base os números de junho do ano passado, quando a inflação ficou em 0,23%. Isso não significa uma tendência de alta da inflação, mesmo com a recente desvalorização do câmbio, mas pode gerar notícias nesse sentido”, afirma.

A greve em si teve o apoio da sociedade, com 72% de manifestações favoráveis às reivindicações dos caminhoneiros. O episódio trouxe à tona uma série de insatisfações da população: preço dos combustíveis, custo de vida, desemprego, crise econômica prolongada, dificuldade de reação do governo Temer, cobertura da imprensa e corrupção. A sociedade não sente os efeitos da frágil – e já incerta – retomada da economia e responsabiliza o governo. O inverso também é verdade: sem apoio, o governo não conseguiu implementar sua agenda de reformas, o que prejudicou a retomada da economia e aumentou ainda mais a insatisfação. Como resultado, o governo Temer obteve 0% de aprovação em maio.

Já neste mês o debate sobre os candidatos tem a maior participação nas manifestações (19%), ainda com predomínio de Lula e Bolsonaro. Bolsonaro ocupa 9% das publicações, com 56% de apoio. Parte das manifestações favoráveis, no entanto, vem das páginas ligadas ao deputado. Levando em conta apenas a opinião pública, as manifestações favoráveis caem para 34% e dizem respeito principalmente à sua campanha, como a participação na Marcha para Jesus, na semana passada. Do lado do ex-presidente Lula, repercutiu nesta semana a informação divulgada na imprensa de que o ex-presidente teria lido 21 livros desde que foi preso, em 7 de abril. Críticos de Lula duvidam da veracidade da informação. Do outro lado, seus defensores dizem que é uma carga de leitura “normal” e insinuam que não houve dúvidas quando os relatores da Lava-Jato afirmaram ter lido milhares de páginas de processo em poucos dias. O próprio perfil do Lula embarcou na “brincadeira” compartilhando uma publicação bem-humorada do Buzz Feed sobre o assunto. No saldo das manifestações, Lula ficou com 56% de aprovação.

Diversidade, uma pauta permanente

O debate sobre a diversidade, que inclui assuntos como feminismo, machismo, racismo e homofobia, vem se mostrando uma pauta permanente da sociedade. Neste mês, responde por 17% de todo nas redes sociais e na imprensa. Dos onze assuntos com maior participação nas discussões em junho, quatro (machismo, feminismo, racismo e homossexualidade) são de diversidade. Episódios da vida real são o gancho para as discussões ganham grande repercussão. Nesta semana, por exemplo, a opinião pública criticou a atitude de estudantes de Direito da PUC-RJ que cometeram ofensas racistas contra colegas de outras universidades durante as competições esportivas Jogos Jurídicos. Confira abaixo os principais temas debatidos na opinião pública e nas redes sociais em maio e na primeira semana de junho. Os temas destacados no mês passado são os que têm relação com a crise dos combustíveis.

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