Percepção negativa sobre o país sobe para 92% na semana da greve

Apoio à paralisação atinge 82%. Manifestações favoráveis expressam críticas ao preço do combustível e à gestão do governo

 Apoio à paralisação atinge 82%. Manifestações favoráveis expressam críticas ao preço do combustível e à gestão do governo Temer. Candidatos sem discurso para apoiar a população no momento da crise  

O sentimento de positividade em relação ao país caiu para inéditos 8% na semana da greve dos caminhoneiros. É o que mostra o IP Brasil Opinião, índice elaborado pela agência de análise MAP que mede o apoio da sociedade em relação aos principais temas da atualidade. É o menor nível já registrado na história do índice, que foi criado em julho de 2015. Para comparar, na semana anterior o IP estava em 42%. O índice vai de 0% a 100%, sendo que é mais positivo quanto mais próximo dos 100%, e contempla manifestações da opinião pública nas redes sociais e de formadores de opinião (grupo formado por imprensa, influenciadores digitais, políticos, partidos e instituições).

Fonte .MAP

A alta no preço dos combustíveis foi responsável por 65% das manifestações no período, com apoio de apenas 2%. Levou o subíndice da Economia para uma participação nos debates de 66,5%, como mostra o gráfico acima. Foi o gatilho para expressar uma série de insatisfações da sociedade, entre elas com o governo de Michel Temer. Com 12% de participação no debate total nesta semana, o apoio ao governo chegou a mais um patamar inédito: 0%. Dessa forma, não surpreende que as manifestações favoráveis à greve dos caminhoneiros tenham subido de 67% no primeiro dia, para os atuais 82%, mesmo com o fim da paralisação –  e deixando o rastro ainda do desabastecimento e os danos causados à economia. A tabela abaixo revela os diferentes temas que circularam em torno da greve.

Fonte .MAP

Se o posicionamento da opinião pública foi imediato e em um movimento crescente de apoio, não encontrou acolhida nas declarações dos pré-candidatos a presidente, em seus próprios canais nas redes sociais. A exceção é o deputado Jair Bolsonaro (PSL), que tem o maior número de seguidores. Ele se posicionou de forma contundente a favor do movimento grevista e contra os aumentos da gasolina. Avançou ainda no apoio aos militares, ainda que nunca tenha se manifestado em prol de uma intervenção militar no país diretamente. Os candidatos reconhecidos como do centro, como Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), pouco tocaram no assunto. A página de Meirelles no Facebook manteve o destaque nos seus feitos como ministro da Fazenda, tanto no governo Lula quanto no de Temer, com a hashtag #ChamaOMeirelles. Na página do ex-governador Geraldo Alckmin no Facebook, o destaque foram os problemas da educação no Brasil.

Os pré-candidatos que se definem como liberais na economia – Flavio Rocha e João Amoêdo – se detiveram pouco sobre o mérito da questão e usaram o assunto como gancho para defender a privatização da Petrobras e o livre mercado de forma geral. Aqueles situados à esquerda do campo ideológico, como Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB), pelo contrário, seguem a linha de que a Petrobras é um bem público e, nessa condição de “empresa estatal”, deve servir o público – portanto com preços controlados. Marina Silva (REDE) e Ciro Gomes (PDT), com baixa atuação nas redes sociais, não se posicionaram sobre o assunto por esses canais.

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