Revelação de documentos da CIA sobre a era Geisel e embate entre mãe e assaltante em porta de escola ampliam discussão

Na ausência de eventos políticos de peso, as manifestações na imprensa e nas redes sociais se pulverizaram, abrindo espaço principalmente para a discussão sobre intervenção militar e segurança, temas que possuem intersecção entre si. É o que mostra o IP Brasil – Opinião, índice elaborado pela agência de análise .MAP que mede o apoio da sociedade em relação aos principais temas da atualidade.

Fonte .MAP

O debate sobre a intervenção militar renasceu com a revelação de documentos da CIA, a agência de espionagem norte-americana, que indicam que as práticas de tortura e assassinato eram de conhecimento da alta cúpula do governo de Ernesto Geisel. A reação tomou direções opostas entre a opinião pública nas redes sociais e entre os formadores de opinião (grupo formado por imprensa, influenciadores digitais, políticos, partidos, instituições e movimentos). O tema teve 29% de participação entre os formadores de opinião, enquanto na opinião pública a participação foi de 16%, mas com 71% de apoio. Entre os que se manifestaram de forma favorável ao regime militar, há questionamentos em relação à veracidade da informação e também apoio à repressão aos movimentos de esquerda praticada na época da ditadura.

A reação da mãe e policial militar que matou um assaltante na porta da escola do filho no interior de São Paulo foi um dos principais ganchos para um debate mais amplo sobre segurança, tema que ocupou 12% das discussões nesta semana. A maioria das manifestações apoia a ação da mãe, considerada uma reação natural de uma profissional preparada para a situação, mas as opiniões se dividem em relação ao reconhecimento concedido a ela pelo governador Márcio França. Como efeito colateral, ressuscitou o debate sobre a permissão para que a população tenha porte de arma. O assunto ocupou 3% das discussões, com 61% das manifestações favoráveis à manutenção do desarmamento. “Vemos o debate sobre segurança marcando presença de forma consistente entre os principais temas debatidos pela opinião pública e os formadores de opinião, de forma que o assunto certamente estará na agenda dos candidatos às eleições, que terão de mostrar suas propostas para o combate à violência”, afirma Marília Stabile, diretora-geral da .MAP.

Fonte .MAP

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