Desabamento de prédio em São Paulo levanta debate sobre políticas públicas de moradia e sobre o papel dos movimentos sociais

Sem eventos de peso, participação da política nas discussões cai e ganham espaço temas que afetam o cotidiano

Sem eventos de peso, participação da política nas discussões cai e ganham espaço temas que afetam o cotidiano da população: segurança, diversidade e habitação

O desabamento de um prédio no centro de São Paulo durante o feriado contribuiu para tirar da política a hegemonia que o tema vinha mantendo no debate da sociedade. A tragédia – e seus desdobramentos –  ocupou 11% das manifestações da opinião pública nas redes sociais e dos formadores de opinião (grupo que abrange imprensa, influenciadores digitais, políticos, partidos e instituições), desde sua ocorrência, na madrugada do dia 30 de abril para 1º de maio, até hoje, 3. É o que mostra o IP Brasil – Opinião, índice da agência de análise .MAP que mede o apoio da sociedade em relação aos principais temas da atualidade.

Embora ainda muito relevante, ocupando 69% das manifestações da opinião pública nas redes sociais e dos formadores de opinião, a política teve um recuo significativo se comparado ao patamar de abril, quando ocupou 81% das discussões. Temas relacionados ao cotidiano da população ganharam espaço, passando de 17% de participação no mês passado para 27% nesta semana. Além da questão da moradia, segurança e diversidade se mantêm na pauta. Em segurança, destacam-se manifestações contra o assédio e o debate sobre a desmilitarização da Polícia Militar, capitaneado por uma publicação da advogada Janaina Paschoal defendendo a manutenção da militarização da PM por acreditar “ser impossível controlar um verdadeiro Exército sem disciplina militar”. A confiança da sociedade não se move. Considerando-se as manifestações analisadas na Política, Economia e Bem-Estar, a positividade é de 41%, mesmo patamar das semanas anteriores.

Fonte .MAP

No campo econômico, predomina a queixa contra a falta de emprego, somada à renda pressionada. Ainda que com baixa participação no debate total, apenas 4% nesta semana, os assuntos de economia tendem a ganhar corpo na medida em que a recuperação da atividade econômica se mostre mais lenta do que se esperava e que a recente alta do dólar diante do real comece a afetar os preços. Não por acaso, além do desemprego, sobressaem manifestações sobre a alta da gasolina, que nova teve alta hoje, e sobre o câmbio. Neste ambiente, as expectativas do brasileiro no campo econômico continuam no piso – com apenas 17% de positividade na semana.

Desabamento de prédio ganha contornos políticos

Enquanto na imprensa o desabamento do prédio no centro de São Paulo suscitou majoritariamente cobrança de políticas públicas para habitação, nas redes sociais o debate foi mais amplo. O prédio estava ocupado por moradores ligados a um movimento que se identifica como apoiador da luta por moradia. Isso levou parte das opiniões a ligar o evento ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), a seu líder, o pré-candidato à Presidência Guilherme Boulos (PSOL-SP), e a um posicionamento político “de esquerda”. Esse foi, por exemplo, o caso do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que publicou em seu perfil no Twitter no dia 1º de maio que o prédio havia sido invadido pelo MTST. Com o acidente, as citações a Boulos somaram 6% do debate total, com 0% de apoio.

Um segundo desdobramento do evento se deve a relatos de que os moradores seriam obrigados a pagar um aluguel de até R$ 400 ao movimento responsável pela invasão, o MSLM (Movimento de Luta Social por Moradia). Na imprensa, o ex-prefeito de São Paulo João Doria classificou o movimento de “facção criminosa”. Eduardo Bolsonaro, ao ser corrigido por seguidores sobre o equívoco em relação aos movimentos, afirmou que “confundir o MTST com o MLSM é o mesmo que confundir CV com PCC, no final das contas é tudo crime”. Parte dos internautas adere a esse discurso. Das manifestações nas redes sociais sobre a tragédia, 35% reproduzem esse discurso.

Sobraram críticas também para o presidente Michel Temer, que foi até o local da tragédia prestar solidariedade às vítimas e saiu às pressas, hostilizado pelos presentes. As manifestações nas redes sociais chancelam o repúdio demonstrado pela população e dão a Temer 0% de apoio na semana.

Sobre o IP Brasil – Opinião

O IP Brasil – Opinião é elaborado pela agência de análise .MAP e mede a opinião positiva da sociedade em relação aos principais temas da atualidade. O índice varia de zero a 100%. Quanto mais próximo de 100%, melhor a percepção positiva.

Sobre PontoMAP

Combinamos análise das expectativas da sociedade e mercados com a avaliação da imagem e reputação para o seu negócio.