Candidatos dominam o debate em abril; Sem Lula, Bolsonaro alcançaria 83% das opiniões

Política foi o tema de abril: 81% de participação. Mas diversidade, segurança, educação, emprego e mobilidade são as

Política foi o tema de abril: 81% de participação. Mas diversidade, segurança, educação, emprego e mobilidade são as pautas da sociedade

Com 55% de apoio nas manifestações da opinião pública nas redes sociais e dos formadores de opinião (grupo que compreende imprensa, influenciadores digitais, políticos, partidos e instituições), o ex-presidente Lula ocupou um terço de todo o debate relacionado a temas de política, economia e bem-estar (conjunto de assuntos que têm impacto direto no cotidiano da população, como segurança, saúde, educação e discussões sobre mobilidade). Manifestações relativas a Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ocuparam 20% do debate total em abril. Excluindo a participação de Lula, o deputado responde por 83% das discussões relativas aos pré-candidatos à Presidência, com apoio de 31%.

Em um segundo lugar distante vem o presidente Michel Temer (MDB-SP), com 18% de participação e apenas 6% de manifestações favoráveis. Geraldo Alckmin ocupa 7% de participação e positividade de 1%. Os resultados analisados são da agência de análise .MAP, que produz o IP Brasil – Opinião, índice que mede a opinião positiva da sociedade em relação aos principais temas da atualidade. O índice varia de zero a 100%. Quanto mais próximo de 100%, melhor a percepção positiva.

Os demais candidatos ainda estão mais na fase da articulação política do que na apresentação de propostas concretas à sociedade. Nesse sentido, vale notar também que o apoio a Lula tem uma trajetória de queda das manifestações ao longo do mês: no momento da sua prisão, chegou a ser o assunto mais disseminado nas redes sociais. Mas, ao final do período, ficou cada vez mais restrito à sua própria rede de apoio, nas páginas de políticos, partidos e movimentos simpatizantes ao ex-presidente. A movimentação dos candidatos leva a um cenário incerto. “Não sendo candidato a presidente, Lula pode não conseguir transferir a totalidade dos votos que ele teria ao seu indicado”, afirma Herón do Carmo, professor da FEA-USP e consultor da .MAP. Apontado como um possível herdeiro de parte dos votos do petista, uma eventual candidatura de Joaquim Barbosa ainda não decolou e o ex-ministro do STF não teve participação significativa no debate ao longo do mês.

População “pauta” temas para as eleições

Ainda que a política tenha ocupado 81% do debate em abril, a opinião pública mantém na pauta os temas de bem-estar, responsáveis por 16% das discussões. A maioria das manifestações nesse grupo está relacionada à diversidade (feminismo, homofobia, racismo), segurança, educação e mobilidade. Em educação, sobressaem publicações sobre o Enem e, consequentemente, sobre o ensino superior, item importante não apenas para o jovem, mas que envolve toda a família. Economia manteve uma participação baixa na composição do IP Brasil – Opinião, ocupando apenas 2% do debate, com destaque para o desemprego, tema que tende a voltar a ganhar espaço, uma vez que os indicadores mais recentes apontam para uma alta no desemprego, na medida em que mais pessoas voltam a procurar vagas no mercado de trabalho.

Discussões sobre Lula, Lava Jato e Judiciário extrapolam para o debate sobre a justiça

A discussão sobre o julgamento do ex-presidente apresentou desdobramentos importantes para a sociedade. Na análise das opiniões captadas pela .MAP, no mês de abril sobressaíram a discussão sobre a imparcialidade da Justiça, materializada nas decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e dos demais tribunais, e até sobre a solidez das instituições da democracia brasileira. A discussão foi motivada pela votação no STF que rejeitou o habeas corpus pedido pela defesa de Lula, em 4 de abril, e , no dia seguinte, o juiz Sérgio Moro decretou a prisão de Lula, que só se apresentou à Justiça no dia 7.

Na linha do tempo do Judiciário ainda se destacaram, no dia 12, a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de transferir as acusações contra o ex-governador Geraldo Alckmin da Lava-Jato para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a decisão do STF de tornar Aécio Neves réu por corrupção e obstrução da Justiça (dia 17). Dia 19, a decisão do TRF-4 de manter a condenação de José Dirceu e determinar a execução provisória da pena (dia 19), além da decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) de recusar recurso do ex-governador Eduardo Azeredo e abrir espaço para o primeiro tucano ser preso no mensalão do partido, na terça-feira. O protagonismo da política ganhou ênfase ainda no fechamento do mês, quando a Segunda Turma do STF determinou, por 3 votos a 2, que os trechos da delação da Odebrecht, que citam o ex-presidente Lula, não podem ser usados pelo juiz Sérgio Moro.

Nas redes sociais e na imprensa, a discussão sobre esses temas, que se relacionam tanto à Lava Jato quanto ao Judiciário, teve 36% de participação no debate total. No entanto, enquanto 48% das manifestações da opinião pública e dos formadores de opinião são favoráveis à Lava Jato, o STF encontra apoio de apenas 12% e as críticas aumentam sempre que uma decisão da Corte pode ameaçar as conclusões da Lava Jato.

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