Sociedade mantém foco em política, com predomínio de Lula e Lava Jato

Quase duas semanas após a sua prisão, o ex-presidente Lula se mantém como protagonista do debate da sociedade

Fora da política, discussão se volta para diversidade, segurança e educação, sinalizando temas que devem ganhar relevância na campanha eleitoral

Quase duas semanas após a sua prisão, o ex-presidente Lula se mantém como protagonista do debate da sociedade em abril, tanto entre a opinião pública nas redes sociais quanto entre os formadores de opinião, grupo que compreende imprensa, políticos, partidos, movimentos e influenciadores digitais. De todas as manifestações nesses dois públicos um terço tem relação com o ex-presidente, sendo que 55% são favoráveis a ele. Parte desse apoio vem da sua própria rede, com publicações de políticos, movimentos e partidos simpatizante ao ex-presidente. Excluindo esses perfis, o apoio a Lula cai para 45%. As conclusões são do IP Brasil – Opinião, índice elaborado pela agência de análise .MAP que mede a opinião positiva da sociedade em relação aos principais temas da atualidade. O índice varia de zero a 100%. Quanto mais próximo de 100%, melhor a percepção positiva.

A Lava Jato, intrinsecamente ligada ao debate sobre Lula e sobre os rumos políticos do país, também continuou no foco em um mês agitado, que já teve o julgamento de Lula no STF, a decretação de sua prisão, dias de suspense sobre o destino do ex-presidente, a prisão efetivamente, a invasão, pelo MTST, do triplex do Guarujá que motivou a condenação de Lula e a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de tornar réu o senador Aécio Neves. Os temas ligados à política ocuparam 83% do debate, sendo 28% dedicados estritamente à Lava Jato, com 50% de apoio, ou seja, encontra uma população dividida, mas ainda em patamar mais alto do que o observado nos últimos meses.

Fonte .MAP

Os dois eventos específicos desta última semana – a invasão do triplex capitaneada por Guilherme Boulos (PSOL-SP) e a decisão do STF de aceitar a denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) – tiveram baixa repercussão e pouco apoio entre a opinião pública e os formadores de opinião. As manifestações relativas a Boulos somaram apenas 1% daquelas que tratam dos pré-candidatos à Presidência, com 18% de apoio, enquanto as publicações que mencionam o caso de Aécio Neves ocuparam 4% nessa mesma comparação, com 0% de apoio.

Em outra frente do debate político, o apoio ao Jair Bolsonaro (PSL) também caiu neste mês, com 29% de manifestações favoráveis, contra 46% em março. Sua participação no debate, no entanto, ainda é alta e representa 21% das manifestações nas redes sociais e na imprensa. Pesaram contra o candidato nesta última semana a acusação da jornalista Patrícia Lélis contra um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, de que teria sido ameaçada por ele por meio de um aplicativo de mensagens e a decisão da Procuradoria Geral da República de denunciar Jair Bolsonaro por racismo.

Temas do cotidiano se mantêm em pauta na opinião pública

Uma única publicação no Twitter com sugestões de tópicos para estudar para o Enem teve mais de 107 mil curtidas, mais do que o dobro da publicação mais curtida de política. Mostra como a opinião pública mantém viva a discussão de assuntos que afetam seu cotidiano, como temas de diversidade, educação e segurança. Esses assuntos ocupam 18% do debate entre a opinião pública e apenas 9% entre os formadores de opinião. Servem também para antecipar quais devem ser os motes dos programas dos candidatos nas eleições, tanto na esfera federal quanto estadual.

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