IP Brasil – Opinião: violência chega à política

Percepções da sociedade estacionam no patamar de crise no trimestre. Inédito, eleições dominam 50% do debate da agenda nacional

Percepções da sociedade estacionam no patamar de crise no trimestre. Inédito, eleições dominam 50% do debate da agenda nacional, em março

A caravana do ex-presidente Lula e o ataque a tiros na cidade de Quedas do Iguaçu, no Paraná, mobilizaram as redes sociais em torno dos candidatos Lula e Jair Bolsonaro. Entre a meia-noite de terça-feira e as 16h30 de quarta-feira, a V-Tracker, ferramenta de monitoramento usada pela agência de análise MAP para a avaliação das mídias sociais, captou 213,9 mil posts. Lula deteve 55,18% desse universo de postagens, com 24,3 milhões de manifestações (comentários e compartilhamentos) e foi apoiado por 43% desse universo. Jair Bolsonaro, com 32,18% do conjunto dos posts e 17,3 milhões de manifestações, contou com 62% de postagens favoráveis. As palavras “tiro” e “bala” motivaram 18.300 posts, com 8 milhões de manifestações. No Twitter, as postagens sobre Lula somaram 85,5 mil posts e no Facebook, 51,06 mil posts. Para Bolsonaro, o Twitter respondeu por 61,3 mil posts e o Facebook pelos restantes 16,1 mil posts.

O cenário, polarizado, entre os dois candidatos, com o agravante do ataque a um dos ônibus da caravana, ontem, impulsionou as manifestações e favoreceu os candidatos, analisa a MAP. Em todo o mês de março, o apoio a Lula estava restrito a 29%, principalmente por conta do julgamento do habeas corpus no STF. Ontem, após o ataque, alcançou os 43%. Também Bolsonaro experimentou melhora, pois, no mesmo período, o apoio subiu de 26% no mês para os atuais 62%. O mês de março bate o recorde das manifestações nas redes sociais sobre eleições, representando 50% de todo conjunto dos temas que envolvem a política, a economia e o bem-estar analisado pela MAP.

Estacionado na crise, março fecha com IP de 36%

A percepção da sociedade em relação aos principais temas da agenda nacional – envolvendo a política, economia e bem-estar, está estacionada em um nível de crise, com 36% de manifestações favoráveis. Março repete o patamar de junho do ano passado, quando o IP caiu para 39%, contra 50%, no mês anterior, e não saiu mais desse nível. A queda ocorreu logo após a divulgação do áudio da conversa de Joesley Batista com o presidente Michel Temer. O Índice de Positividade, IP, varia de 0% a 100% e, quanto mais alto, mais favorável é a percepção. O intervalo entre zero a 35% reflete a percepção de crise.

Fonte .MAP

No mês, a economia ocupa uma participação pequena no debate, de apenas 12,5% em junho, com uma positividade igualmente baixa, de 13%, tendência que se mantém, também, desde março do ano passado e não tende a ganhar vigor, apesar de bandeira do candidato virtual à presidência, o ainda e atual ministro Henrique Meirelles. O grande tema dentro desse assunto é emprego, com 9,5% de participação. Para a opinião pública (que não contabiliza imprensa, influenciadores e instituições), essa participação sobe para 13,3%, por ser o item com maior impacto em seu cotidiano. O recuo da inflação não é percebido e a questão do desemprego deve se inserir como um dos principais temas para os candidatos nas eleições, junto com segurança.

É ela, segurança quem detém a maior participação (21%) entre as manifestações relacionadas a bem-estar, item que engloba educação, diversidade e saúde, entre outros. Não faltaram eventos que estimulassem essa discussão no mês: o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, a ausência de resultados da intervenção federal no Rio de Janeiro, o debate sobre o papel das polícias e, por fim, a chegada da violência à política, com a radicalização de posições. As manifestações relacionadas a Marielle têm 11,6% de participação no debate e não se restringem apenas ao assassinato, à pura violência e à segurança pública, mas também tratam de questões de gênero, raça e da forma como os políticos se posicionam sobre o assunto. O assunto também aparece nas manifestações relacionadas à situação do Rio de Janeiro, que correspondem a 13,7% do debate total. Enquanto isso, a intervenção federal no Rio de Janeiro ainda não trouxe resultados e puxou ainda mais para baixo a positividade da segurança, de 25% em fevereiro para 17% neste mês. Tampouco ajudou o Índice de positividade do presidente Temer, também estacionado em 12%.

Fonte .MAP

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