Agenda social invade debate da política no Carnaval e percepção positiva da sociedade sobre o País sobe para 37%

Um Carnaval marcado pelo desagravo à política é a última forma de expressão da sociedade para dar voz

Um Carnaval marcado pelo desagravo à política é a última forma de expressão da sociedade para dar voz à indignação e desalento captado no IP Brasil Opinião nesses primeiros 15 dias de fevereiro. Da avenida de asfalto às manifestações dos públicos, em todas as plataformas, não há mais crítica velada, tampouco departamentos. O debate de temas da saúde pública, segurança, mercado de trabalho e mesmo o combate ao preconceito são associados diretamente ao comportamento da classe dominante, nas três esferas de poder: Executivo, Legislativo, e o mais recente e vívido, o Judiciário.

A negatividade geral segue em níveis elevados. A pequena reação do IP Brasil Opinião, que chegou a 37% no mês, até 14 de fevereiro em relação aos 33%, em janeiro se deve à única porta aberta para o futuro: a educação. Ensino caro, mas que permite o sonho da realização do estudante e sua família. Sustenta uma positividade única de 100%.

Política: de cara com a “avenida”

A participação da Política no debate social saltou dez pontos, para os atuais 55%. Representa mais da metade dos assuntos que invadem, contudo, também os temas do  Bem-Estar, com 34% e economia com 20%. “A economia é meio e não fim. Sem eventos extraordinários, não há saliência. São os assuntos do Bem-estar que dominam, em uma lógica transversal, que invade a agenda política. Se em janeiro, emprego foi soberano na agenda, educação vem se somar. É esse o binômio social: emprego e educação que deveria preocupar o político em ano eleitoral”, comenta Marilia Stabile, diretora geral da agência .MAP. Em contexto, a sociedade se manifesta politicamente, mostra a decepção com todos os poderes,  marcado principalmente com a avaliação negativa do judiciário”.

Dessacralização do Judiciário

Quando analisados os principais temas da Política que mobilizaram a sociedade, tanto entre formadores de opinião quanto na opinião pública, o IP registrado pelo STF é baixo, de 14%; a avaliação do Judiciário é pior, de 7%. “É a dessacralização do Poder Judiciário, que sanciona desigualdades, ao invés de combatê-la”, comenta Heron do Carmo, economista e consultor da .MAP. Frase da presidente do STF, Carmen Lucia, resume o sentimento da sociedade em relação ao judiciário, expressa pelo IP: “O judiciário está em débito com a sociedade”. Auxílio-moradia e outros benefícios pesam sobre este poder. A avaliação do governo Temer – alvo de enredos críticos no Carnaval do Rio de Janeiro –  tem um IP de apenas 4%.

Na falta de um tema único que agregue diferentes grupos, a sociedade já não ocupa as ruas como no passado recente, mas segue se manifestando por outros instrumentos. Um dos principais influenciadores no twitter, Luscas, com mais 4 milhões de seguidores, compara a popularidade de Temer à da ex-BBB: “Ana Paula, neste momento, só perde para pessoa mais rejeitada no Brasil para Michel Temer”. A ex-BBB foi eliminada com 90% dos votos.

Insatisfeita com a Política, a sociedade aposta na Educação. O ensino superior atinge uma positividade de 100%. É uma aprovação, no entanto, também crítica, com queixas em relação ao custo e à qualidade. Eventos pontuais como lista de aprovados nas universidades, ProUni e Sisu, colaboram para o debate sobre educação neste começo de ano. Perde em participação, dentro de Bem-Estar, apenas para Diversidade, que responde por mais de um terço do indicador e tem um IP de 58%.

Economia ainda não dá voto

Na Economia, o subtema Procura por Emprego mantém a positividade baixíssima, de 14%, sendo o principal alvo do debate nas mídias sociais. A dificuldade de percepção das melhoras econômicas no dia a dia cidadão – que depende diretamente da renda e do emprego – prejudicam. Não está na agenda política do cidadão e ainda não dá voto, avisa a população ouvida pelo IP Brasil Opinião.

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