Sua vida em 2017 daria um filme?

Que tal fazer uma retrospectiva diferente, em formato de um episódio de uma série com muitas temporadas?

O ano está acabando e estamos naquele típico momento de reflexão, de balanço e de planejamento do próximo período. Que tal fazer uma retrospectiva diferente, em formato de um episódio de uma série com muitas temporadas? O storytelling pode lhe dar uma ajudinha.

Quem nunca não teve a sensação de chegar ao final do ano com a impressão de que ele passou sem que fosse percebido, de que não se fez nada de diferente ou daquilo que se planejou? Eu já senti isso, muitas vezes! Mas tudo mudou depois que conheci o Joni Galvão, grande guru do storytelling do Brasil; que assisti ao filme O Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, de Tim Burton; e convivi mais com a minha amiga Andrea Baldochi, pessoa “comum”, dona de casa, dois filhos, um cachorro, mas que leva uma vida absolutamente incomum.

Mudou porque eles me ensinaram a prestar mais atenção aos detalhes da minha rotina diária e a criar fatos novos para causar certos desequilíbrios na vida que, depois, tornavam-se ingredientes interessantes de uma história. Passei a ver a vida como um filme, na verdade, como uma série cheia de episódios com começo, meio e fim.

O Joni me mostrou que é possível abrir e comer lentamente uma barra de chocolate Lacta numa reunião na Nestlé para desentediá-la, sem ser banido da empresa. Ao contrário, acordar todo mundo para focar no interesse comum.

Já o Tim Burton, em O Peixe Grande, me fez refletir que é sempre possível ver as pequenas coisas da vida com um olhar mais divertido. No filme, o filho do protagonista entrou em crise com o pai por achar que a vida deste tinha sido recheada de mentiras, já que as histórias que ele contava eram quase sempre mirabolantes. Da forma que ele contava, eram mesmo. No entanto, eram todas reais, mas com uma boa pitada de emoção no que realmente importava em cada cena vivida.

Minha amiga Andrea é a prova de que isso é possível não apenas nos livros ou ficção, mas na vida real e comum de todo mundo. Diariamente, ela tem uma novidade para contar, sua rotina é não ter rotina. Levar os filhos para ver o Papai Noel num shopping lotado de São Paulo pode ser muito mais divertido (ou não! risos) se levar também a mãe, a filha da vizinha, o irmão, cunhada e a cadela de cinco meses, que passou de colo em colo fazendo xixi em todo mundo. Se ela não tivesse ido com eles, provavelmente eu não estaria perpetuando esta história aqui, correto?

Fazendo uma retrospectiva diferente

Pincei alguns conceitos do storytelling que poderão inspirá-lo a contar a sua história de 2017 de um jeito novo e surpreender não só os outros, mas você mesmo. Estas dicas valem tanto para a vida pessoal quanto para a corporativa, afinal, empresas também têm histórias, né?

  • Pense em forma de histórias

Nossa mente armazena eventos e não dados soltos. Pare um pouquinho e reflita sobre que tipo de informação você retém e gosta de passar adiante. Agora, lembre-se das suas histórias em 2017. Como você as contaria? Tome notas.

  • Entenda bem o protagonista

Ou seja, invista um bom tempo em seu autoconhecimento e estas perguntas, que normalmente utilizamos para construir o protagonista, irão lhe dar uma forcinha. Nossa vida é cheia de altos e baixos, muitas coisas acontecem para nos desequilibrar. E a forma como lidamos com isso é o que cria a emoção na história e gera interesse em quem ouve, pois ele se vê nela, aprende com ela.

Quais são seus desejos? O que o move?

Qual seu nível de empatia com as outras pessoas? Como você melhora a vida do outro?

Ao longo de 2017, quais foram os fatores que quebraram suas expectativas e como você se sentiu diante dessas situações?

Quais são suas forças antagônicas? O que o prende? O que o puxa do lado oposto aos seus desejos? Quais são seus pontos fracos?

Você já chegou ao fundo do poço? Quando foi? Como foi?

  • Respeite os “incidentes incitantes”

Esses incidentes são os fatos que geram os desequilíbrios na vida do protagonista, ou, neste caso, na minha, na sua. Nunca os menospreze, pois são eles os pontos de virada na nossa história. Se algo der errado (e tenho certeza que deu!), observe qual foi o estopim. Agora que você conhece bem o protagonista, ficará mais fácil responder por que esse incidente o abalou tanto e como fazer para reestabelecer o equilíbrio da sua vida.

  • Observe e reflita sobre seus dilemas

Em muitos momentos ficamos diante de um dilema que nos obriga a escolher entre duas coisas boas ou ruins. É o momento daquela decisão crucial, que sempre vem acompanhado de conflito pessoal. Normalmente bate o desespero, medo, dúvida, solidão. Reflita sobre estes sentimentos e consequências em cada uma das suas escolhas. Lembre-se: na hora de contar sua história, os dilemas serão os responsáveis pela taquicardia gerada na audiência.

  • Capriche na resolução

Encerrado o dilema, é a hora de concluir a história do ano deixando no ar aquele tom de nova temporada a caminho. É a hora de revelar a moral da história que, aliás, deve ser definida logo que você começar a pensar no assunto.

E aí? Gostou da sua história? Quer repeti-la em 2018? Ou quer iniciar uma nova temporada, com novos personagens, trama instigante, novo cenário, nova direção?

Veja também quais são as perspectivas para a economia em 2018 na visão de Heron do Carmo, professor da FEA-USP e consultor da .MAP.

Sobre Suzeli Rodrigues Damaceno

Especialista em comunicação, marketing e inovação colaborativa.Tem 20 anos de experiência em comunicação corporativa, atendeu grandes marcas de diversos setores e já passou por todas as áreas de grandes agências, incluindo planejamento e novos negócios. Trabalha atualmente como gestora independente de projetos de comunicação e marketing, é coordenadora do movimento Web para Todos e parceira da Inova na conversa!, empresa de inovação colaborativa.