2017: o ano das promessas não cumpridas

Segurança, política e economia derrubam expectativas dos brasileiros

Segurança, política e economia derrubam expectativas dos brasileiros

A frustração das expectativas marca o ano de 2017, segundo o IP Brasil-Opinião. O Índice de Positividade (IP) fecha em 37%, com queda de 10 p.p. em relação a 2016. Na política foi o ano do envolvimento do presidente Michel Temer nas investigações de corrupção, em função das gravações da JBS, e a perda de apoio da população à Lava-Jato – fatores que influenciam e conduzem a sensação de deterioração do ambiente. Na Economia, consolida-se o descasamento entre a melhora dos indicadores macroeconômicos e o lento processo de incorporação dos ganhos no dia a dia do cidadão. Ao mesmo tempo, a sociedade se posiciona de forma mais clara e ativa contra práticas discriminatórias e violência. A Diversidade entra e amplia o debate, cresce e acaba por se impor na Agenda Nacional.

Queda em todos os itens
Fonte: .Map

Na análise do discurso dos diferentes atores – opinião pública e formadores de opinião –  chama a atenção a piora gradual comum ao longo do ano, marcada principalmente pelo ponto de inflexão em maio. O episódio da delação da JBS foi decisivo na deterioração do ambiente político, reforçando o pessimismo. A corrupção, percebida como prática recorrente, contamina a visão da sociedade como um todo e dificulta o registro dos avanços macroeconômicos e das reformas já realizadas. “Além das iniciativas do governo Temer, algumas medidas adotadas por Joaquim Levy, no governo Dilma, repercutem agora e colaboram na melhora, mas têm pouco impacto na visão da sociedade”, lembra Heron do Carmo, professor de economia da USP e consultor técnico da .MAP.

Episódio JBS marca piora: a partir de maio, mês das gravações, confiança da sociedade recua mês a mês
Fonte .MAP

Melhora dos indicadores, enfatizada pelos formadores de opinião, não repercute entre a opinião pública
Fonte .MAP

Para além do ajuste fiscal, o ajuste moral

A positividade na Política fechou o ano em 43%, após iniciar 2017 em alta, com melhora registrada até abril, momento em que bateu nos 64%. Mas o episódio da JBS jogou por terra os ganhos observados pela sociedade. “A desigualdade persistente , no ambiente de deterioração da reputação dos poderes Executivo, Legislativo e agora, sobretudo, também do Judiciário ampliaram o sentimento de desamparo”, comenta Marilia Stabile, diretora geral da . MAP. Ressalta ainda que “os ganhos de todo processo de apuração da corrupção estão sob ameaça e a sensação permanece de manutenção da impunidade. Ela é intolerável quando combinada com a desigualdade social”. A opinião pública manifesta de forma contundente a crítica e os fatos falam por si. Dois grandes componentes do indicador, e responsáveis por boa parte da negatividade, foram Lava-Jato e Governo Temer. O gráfico abaixo mostra não apenas a visão mais negativa em relação à Lava-Jato, mas também o menor interesse pelo tema. Pesaram sobre o Governo Temer, cujo positividade no ano foi de apenas 9%, a série de iniciativas para se manter no poder, com distribuição de verbas para parlamentares e movimentos que comprometem as contas públicas. “O ajuste moral é positivo, vai ser um ativo importante no processo eleitoral de 2018”, sublinha , contudo, o consultor Heron do Carmo. O tema Eleições, pelo levantamento da .Map, entra na agenda a partir do segundo semestre e deve seguir ocupando espaço na medida em que o pleito se aproxima. Por enquanto, a polarização é a marca, com formadores de opinião e opinião pública focando na exposição de Lula e Jair Bolsonaro e nas movimentações políticas para compor o quadro. O debate programático, por ora, é praticamente inexistente.

No mês de dezembro, chama a atenção a positividade de alguns candidatos: Lula se mantém em seu patamar histórico, com 32% de positividade, Geraldo Alckmin melhora e fecha com IP de 54%, mas é Bolsonaro o pré-candidato com maior aprovação nas redes no mês, com IP de 60%. Em contrapartida, os partidos políticos, como PT e PSDB, assim como o MBL, apresentam IP zero em dezembro. “Isto mostra a deterioração dos partidos, a visão ruim da sociedade em relação às siglas, às vésperas de um ano eleitoral”, comenta Giovanna Masullo, diretora executiva da .Map.

Cai o interesse e o apoio à Lava Jato ao longo do ano
Fonte: .MAP

Tema entra de vez na agenda a partir de agosto
Fonte .MAP

Desmoralização dos partidos
Fonte .MAP

Diversidade: o legado de 2017

O ano de 2017 foi marcado pelo crescente posicionamento da sociedade em relação a temas polêmicos relacionados à diversidade. O IP de Bem-Estar caiu de 53% em 2016 para 38% neste ano. As empresas ficaram em evidência por posicionamentos ligados às questões de gênero e de raça. O posicionamento da sociedade é de intolerância ao racismo, à homofobia e à violência contra a mulher.
A sensação de insegurança cresce ao longo de 2017. Após um início de ano marcado por rebeliões em presídios e greve de policiais militares, o tema perde espaço no debate, mas volta com força no segundo semestre, impulsionado pela violência no Rio de Janeiro.

Sociedade ativa e intolerante à discriminação
Fonte .MAP

Positividade permanece baixa
Fonte .MAP

IP de dezembro volta a patamares de agosto

A positividade registrada em dezembro, de 31%, representa uma volta aos níveis do pessimismo, após um novembro marcado por sazonalidade. Educação, com a realização do Enem, melhorou o IP de novembro, o que reflete a relevância do tema para a sociedade. Em um ano marcado pelo recuo no financiamento público aos estudantes, além de  universidades com problemas orçamentários e demissão de professores, o contraponto vem da sociedade que mantém a confiança na educação como a porta para o futuro. “É um assunto que mexe não apenas com o candidato, mas com as famílias e a sociedade como um todo”, comenta Marilia Stabile, diretora geral da .MAP. Heron do Carmo faz coro: “Entrar para a universidade é um indicador de ascensão social importante, o que explica o peso do item na percepção social em momentos-chave do ano”.

Tema de amplo apelo social
Fonte .MAP

Sobre Marília Stabile

Sócia e Diretora Geral da .MAP, jornalista, liderou, em 2014, a equipe de criação do Índice de Impacto e Perspectiva, o IP. Coordena a análise editorial de economia e política e a auditoria de imagem de empresas como Souza Cruz, Gol, Vale, ANBIMA, Santander, B2W, Submarino, Shoptime, Soubarato, Lojas Americanas, Roche, Ministério do Planejamento, Governo de São Paulo, Roche, Universidade Estácio. Liderou a equipe de criação do Índice de Qualidade de Exposição na Mídia, o IQEM, da CDN Comunicação Corporativa, em 2002. Iniciou a atividade em análise e auditoria de imagem em 1995 e desenvolveu trabalhos para mais de 240 marcas de todos os setores da economia para empresas brasileiras e multinacionais, bem como do poder Executivo federal e estadual. Atuou em consultoria com foco em planejamento estratégico, gestão de crise, fusões e aquisições. Jornalista de economia há 35 anos, foi editora de conjuntura e macroeconomia da Gazeta Mercantil, diretora da agência Dinheiro Vivo, repórter especial da TV Globo, Rádio Globo, Rádio Excelsior (atual rede CBN), Abril Vídeo. Tem formação em psicanálise.