IP avança 14 pontos em novembro, para 42%, e reforça cenário de perspectivas mais positivas

Bem-Estar sobressai no mês e responde por 52% do debate. Manifestações sugerem uma sociedade de perfil progressista: intolerante ao racismo, contrária à homofobia e preocupada com a educação. No aborto, há equilíbrio de opiniões.

Uma melhora em conjunto nos três grandes assuntos analisados pela .MAP – Política, Economia e Bem-Estar – marca a retomada do crescimento do IP no mês de novembro. Eleições 2018 faz o IP de Política saltar quase 10 pontos percentuais, para 34,8%, com maior espaço para o debate programático. Economia, com positividade que supera os 22%, permanece tema prioritário entre os formadores de opinião, mas com manutenção da percepção ruim entre a opinião pública nas redes sociais, que não visualiza os indicadores positivos refletidos no dia-a-dia. Mas o maior avanço é registrado em Bem-Estar.  O assunto responde por mais de metade do debate, com positividade que sai de 36% para 50%. A realização das provas do ENEM confirma uma sociedade preocupada com a educação, ao mesmo tempo que se posiciona de forma intolerante ao racismo e se divide sobre o aborto. No geral, a positividade é de 42%, mesmo nível de novembro de 2016, após um ano marcado por instabilidade – crise econômica, delação da JBS e articulação para barrar votação contra Temer impactando no humor geral. Entre a mínima (20% em janeiro) e a máxima (56% em abril), o IP oscilou quase 36 pontos percentuais ao longo do ano.

Evolução IP e Impacto
Fonte: .Map

Educação e Racismo protagonizam

A Educação e o o racismo levam os temas de Bem-Estar a superar a Política no debate da agenda nacional em novembro. Responde por 52% das manifestações, ante 42% da Política e7% da Economia. Os dados reforçam o descolamento entre o interesse da opinião pública e o dos formadores de opinião. Assuntos como racismo, aborto e educação ganham eco nas redes sociais, mas têm exposição contida nos jornais.

No mês de realização do Enem, o item Educação registra positividade de 78%. O debate em torno da qualidade do ensino e dos desafios da prova ecoam tanto nas mídias sociais quanto nos impressos. Diversidade, contudo, tem IP de apenas 32% em um mês marcado por diversos fatos que convocaram ao debate, pequeno entre os formadores de opinião, mas amplo nas redes sociais. O caso de racismo envolvendo a filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, declarações de Thais Araújo sobre preconceito contra seu filho e o afastamento de William Waack da tevê Globo após ofensas aos negros têm forte repercussão e mostram uma sociedade que se posiciona contrária à discriminação. A PEC que endurece as regras para aborto aquece essa discussão. As opiniões mostram-se divididas: o IP soma 47%.

Fonte .MAP

Eleições se firmam, Lava-Jato tem novo recuo e Previdência ganha apoio

O esgotamento com a operação Lava Jato reflete-se nos dados levantados pela .MAP. A operação, que já chegou a ter uma participação superior a 60% nos temas da Política, hoje não passa de 6,3%. A positividade, neste mês em 31%, chegou a 100% em janeiro deste ano, mês da morte trágica do ministro Teori Zavascki, quando emergiram incertezas em relação à continuidade da operação.

A positividade da Política é pressionada ainda pelos arranjos políticos em favor do presidente Temer, a nomeação de novo comandante da PF e os recorrentes episódios de corrupção envolvendo políticos. Chama a atenção o IP da reforma da Previdência, de 47%, sugerindo que o discurso ajustado do governo, agora mais focado na redução dos privilégios, começa a angariar maior apoio da população.

Fonte .MAP

O debate sobre as Eleições 2018 consolida-se na pauta política, agora com mais espaço para programas de governo. A polarização se mantém entre Lula, com 54% de IP e 29% de participação, e Jair Bolsonaro, com índices parecidos: IP de 47% e participação de 31%. Alckmin reforça a comunicação nas redes sociais e avança em participação, com 4%. Seu IP supera 90%, sustentado pela expectativa de que será capaz de unir um PSDB fragmentado. João Doria não recupera os índices de imagem do início de sua gestão e permanece com positividade de apenas 15%.

Economia: baixa positividade nas redes sociais e alta entre os formadores de opinião

Os sinais positivos da economia ampliam participação nos temas econômicos e dão impulso ao discurso dos formadores de opinião de que a economia já reage. Agronegócios, mercado financeiro, PIB, balança comercial e privatizações ganham espaço no debate econômico, trazendo maior confiança ao cenário. O contraponto vem das mídias sociais, que continuam a apoiar-se na dobradinha Emprego e Renda.

 

Sobre Marília Stabile

Sócia e Diretora Geral da .MAP, jornalista, liderou, em 2014, a equipe de criação do Índice de Impacto e Perspectiva, o IP. Coordena a análise editorial de economia e política e a auditoria de imagem de empresas como Souza Cruz, Gol, Vale, ANBIMA, Santander, B2W, Submarino, Shoptime, Soubarato, Lojas Americanas, Roche, Ministério do Planejamento, Governo de São Paulo, Roche, Universidade Estácio. Liderou a equipe de criação do Índice de Qualidade de Exposição na Mídia, o IQEM, da CDN Comunicação Corporativa, em 2002. Iniciou a atividade em análise e auditoria de imagem em 1995 e desenvolveu trabalhos para mais de 240 marcas de todos os setores da economia para empresas brasileiras e multinacionais, bem como do poder Executivo federal e estadual. Atuou em consultoria com foco em planejamento estratégico, gestão de crise, fusões e aquisições. Jornalista de economia há 35 anos, foi editora de conjuntura e macroeconomia da Gazeta Mercantil, diretora da agência Dinheiro Vivo, repórter especial da TV Globo, Rádio Globo, Rádio Excelsior (atual rede CBN), Abril Vídeo. Tem formação em psicanálise.