IP Brasil Opinião de outubro é marcado pelo julgamento de Aécio Neves e Michel Temer. Expectativas recuam para nível pré-crise: 28%

Tendência, contudo, é de reversão com sinais positivos da economia, mas sociedade permanece mais pessimista que os formadores de opinião

Após uma melhora pontual em setembro, o Índice de Positividade das opiniões da sociedade sobre a agenda nacional (IP), medido pela .MAP, recuou quase dez pontos percentuais em outubro, caindo a 28%. O patamar se aproxima do piso registrado no ano, em janeiro, quando alcançou 20%, em virtude da violência nos presídios e cidades do Norte, Nordeste e Espírito Santo. Ultrapassada a votação no Congresso que manteve Michel Temer na presidência, a tendência é de alta, motivada pela aposta do impacto positivo de indicadores econômicos.

Evolução IP e Impacto
Fonte: .Map

O maior peso no índice veio da política, cuja participação nos temas debatidos da agenda nacional saltou três pontos percentuais, para 52%, com um IP de 25%, inferior aos 41% de setembro. O julgamento de Aécio Neves e de Michel Temer pesou negativamente na visão tanto da sociedade quanto entre os formadores de opinião. A Economia também registrou piora na percepção. A queda é menor do que a da política, mas é o mais baixo índice de positividade entre os demais assuntos, tendo recuado de 25% para 18%. O desemprego recorrente, somado à mudança na legislação que define trabalho escravo, derrubaram a positividade. Apenas Bem-Estar ficou estável na comparação mensal, com positividade de 36%. Segurança pesou negativamente, mas temas como Enem seguraram o indicador.

Fonte .MAP

Eleições ganham espaço, mas debate se mostra empobrecido

Faltando um ano para as eleições presidenciais de 2018, o debate em torno dos eventuais candidatos ganha corpo pelo segundo mês seguido. O início do processo é marcado por torcidas em torno de candidatos. Não se discutem ideias. Prevalecem as incertezas, sem conhecimento de programas e a própria conjuntura econômica ainda não está sedimentada. Em linha, a radicalização ganha força, com o ex-presidente Lula representando a esquerda e Jair Bolsonaro a direita. Na ausência de candidato do centro, a tendência é de subida de tom, em ambiente nas redes em que os institutos de pesquisa perdem credibilidade e novas formas de conhecer a opinião do eleitor ganham força.

Levantamento espontâneo proposto por anônimo, no Twitter, sob o nome de Enquete, aponta Bolsonaro e Lula como favoritos na disputa, com 44% e 28%, respectivamente, bem distantes dos demais, o que confirma radicalização no debate. Na análise das opiniões, eleições 2018 já atingem uma participação de 20%, com uma positividade de 51%.

Governo Temer tem o segundo pior IP de Política, com 6%, ao lado de Corrupção, com apenas 2% de positividade. As reações do público em geral e do formador de opinião na Imprensa são distintas, porém complementares, ao se situarem em momentos diferentes do processo. Descrença, passionalidade e visão de impunidade em alta marcam as reações nas redes sociais. Entre os formadores de opinião, que já davam como certa a não punição a Temer, as análises são críticas em relação às estratégias políticas nada republicanas para que Temer e Aécio Neves se mantenham no poder. O IP da Lava Jato reflete a decepção: após bater em 81% em maio – mês em que o presidente foi exposto por meio de gravações – caiu a 47% em outubro.

IP e Ponto de Impacto da Lava Jato: queda livre
Fonte .MAP

Poder dos Influenciadores não políticos

“96% da opinião pública reprova o Governo de #ForaTemer. A Câmara dos Deputados não nos representa”

Camila Pitanga | 822 mil seguidores

“Um vídeo que resume o Governo Temer e seus aliados: afronta e deboche ao Brasil com a absoluta convicção de que nada irá detê-los. NOJO!”

Gregório Duvivier |733 mil seguidores

Queda no IP de Economia segue colada com emprego ainda ruim e também reflete o debate sobre trabalho escravo

Com um IP de 18%, frente aos 25% registrados em setembro, a Economia segue marcando um descasamento entre os dados econômicos melhores e um reflexo tímido no dia-a-dia das pessoas. Levantamento feito em mídias sociais captura sentimento ainda ruim sobre a própria realidade. Procura por emprego tem zero de positividade, e alta participação no índice, de 52%. Crédito é outro assunto de baixo IP, de apenas 7%. Anônimos expressam o sentimento de que a melhora não chegou no cidadão.

“E o colunista do jornalão aparece na capa dizendo que a conta de luz vai ficar mais cara para o bem da população!”

P.Santos | 11,9 mil seguidores

Situação atual do Brasíl

– Gás.   R$ 80,00
– Ônibus: R$ 5,00
– Gasolina: R$ 4,30
– A pé: fica sem o celular.
– De bike: levam a bicicleta.

Igor Oliveira | 6.584 seguidores

Bem-Estar se mantém estável com ajuda do Enem

Temas que envolvem o Bem-estar ganham protagonismo inédito no IP Brasil Opinião. Tradicionalmente de baixa participação, entre 15% a 20%, nos últimos dois anos, o tema assume maior relevância e, desde setembro, passa a representar 35% do total das manifestações.

Apesar da piora na violência, refletindo no IP de segurança (só 11%) e com elevada exposição tanto nas redes sociais como entre os formadores de opinião, a proximidade da realização do Enem promove o tema que passa a ocupar de forma positiva os espaços. O IP do Enem fica em 93%. As discussões em torno do Uber, com possível mudança nas regras, ganham as redes sociais com 25% de IP e 17% de participação. Chama a atenção Racismo, com apenas 6% de positividade. As redes sociais ganham relevância como instrumento de controle social e exposição das marcas – campanhas como da Dove e papel higiênico Personal são acusadas de racistas e ganham comentários pejorativos, sendo obrigadas a se retratarem.

Fonte .MAP

Evolução ENEM
Fonte .MAP

Sobre Marília Stabile

Sócia e Diretora Geral da .MAP, jornalista, liderou, em 2014, a equipe de criação do Índice de Impacto e Perspectiva, o IP. Coordena a análise editorial de economia e política e a auditoria de imagem de empresas como Souza Cruz, Gol, Vale, ANBIMA, Santander, B2W, Submarino, Shoptime, Soubarato, Lojas Americanas, Roche, Ministério do Planejamento, Governo de São Paulo, Roche, Universidade Estácio. Liderou a equipe de criação do Índice de Qualidade de Exposição na Mídia, o IQEM, da CDN Comunicação Corporativa, em 2002. Iniciou a atividade em análise e auditoria de imagem em 1995 e desenvolveu trabalhos para mais de 240 marcas de todos os setores da economia para empresas brasileiras e multinacionais, bem como do poder Executivo federal e estadual. Atuou em consultoria com foco em planejamento estratégico, gestão de crise, fusões e aquisições. Jornalista de economia há 35 anos, foi editora de conjuntura e macroeconomia da Gazeta Mercantil, diretora da agência Dinheiro Vivo, repórter especial da TV Globo, Rádio Globo, Rádio Excelsior (atual rede CBN), Abril Vídeo. Tem formação em psicanálise.