Julgamento de Temer e Aécio compromete IP

A positividade das expectativas do público em geral e formadores de opinião na primeira quinzena de outubro registrou

Decepção é reforçada com a descrença no STF e medo da violência urbana 

A positividade das expectativas do público em geral e formadores de opinião na primeira quinzena de outubro registrou queda em relação ao final de setembro. A queda foi puxada pelos temas da Política com investigações envolvendo Michel Temer e Aécio Neves e críticas à atuação do STF. O Índice, medido pela .MAP, ficou em 33%, um recuo de três pontos percentuais. A participação da Política na composição do indicador, contudo, se manteve praticamente estável com 48%. Já Bem-Estar e Economia caminharam em direções opostas. Os temas econômicos reduziram seu peso – de 18% para 15% – com a manutenção da trajetória de melhora de indicadores de inflação, juros e do PIB reduzindo parte do apelo, tanto na opinião pública quanto publicada. Já Bem-Estar saiu de 33% para 37%, com os formadores de opinião reagindo a temas como violência, preconceito e censura e promovendo o debate.

BEM–ESTAR EM ALTA RIVALIZA COM A POLÍTICA

O embate entre STF e Senado pesou de forma decisiva na piora acentuada da percepção, com IP da Política recuando de 41%, no final de setembro, para 34% até 17 de outubro. O peso elevado da Política na composição do IP expressa um comportamento mais engajado nas mídias sociais, em que temas como Lava Jato e eleições convocam o debate e estimulam o posicionamento de diferentes atores. Chama a atenção o IP de 77% registrado para Intervenção Militar, o que expressa um descrédito de parte da população quanto a uma solução legal para a corrupção – em parte o tom crítico sobre o STF reforça esta descrença na eficácia da lei. Na direção contrária, assuntos ligados à Economia não estimulam o engajamento no debate de influenciadores, mas se ampliam na manifestação do público em geral, porém em manifestações individuais. Nas mídias sociais – os posts são diretos e muitas vezes trazem relatos de situações particulares, como desemprego ou renda pequena.

ECONOMIA: REAÇÃO NÃO CHEGA NO EMPREGO

A Economia, como parte do debate, permanece restrita aos veículos impressos.  O IP, contudo, recuou quatro pontos, para 21%, com a procura de emprego atingindo a maior participação na composição do índice, com 59%, e zero de positividade – reflete a visão de que a melhora econômica, pontuada pela mídia, não chegou ao dia-a-dia do cidadão. A quantidade de citações à procura por emprego, nas redes sociais, é reduzida, mas como é tema de interesse amplo, acaba tendo peso maior na composição do IP. “É como o sal, item barato que não pesa no orçamento individual, mas entra na cesta do IBGE de cálculo da inflação, porque é maciçamente consumido”, faz um paralelo Heron do Carmo, pontuando o mesmo em relação à visão sobre o tema violência – afeta indistintamente a todos.

DEBATE EM BEM-ESTAR SUPERA A ECONOMIA

Em Bem-Estar, cujo IP registrou recuo marginal de 36% para 35%, Segurança tem a maior participação com 29%, e uma positividade baixa de 9%. O tema vem ganhando relevância paulatinamente, com destaque para operações no Rio, índices de criminalidade e casos de agressão à mulher em primeiro plano. Também com baixa positividade (17%) e elevado peso (22%), Diversidade se mantem em alta marcando uma vigilância cada vez maior da sociedade em torno das empresas e do poder público. Episódios como o da Campanha Dove, considerada racista, do novo filme de Danilo Gentili, que culminou com demissão de jornalista da Folha, e dos episódios de censura à arte convocam a população para o debate, com reações amplificadas pelas mídias sociais. Destaque para um novo item que passa a figurar no cardápio de Bem-Estar, Alimentação, com apenas 3% de positividade. A exposição negativa do suplemento anunciado por Joao Doria, apelidado de “ração”, que mobilizou tanto os impressos quanto as redes sociais e repercutiu no IP.

 

Sobre Marília Stabile

Sócia e Diretora Geral da .MAP, jornalista, liderou, em 2014, a equipe de criação do Índice de Impacto e Perspectiva, o IP. Coordena a análise editorial de economia e política e a auditoria de imagem de empresas como Souza Cruz, Gol, Vale, ANBIMA, Santander, B2W, Submarino, Shoptime, Soubarato, Lojas Americanas, Roche, Ministério do Planejamento, Governo de São Paulo, Roche, Universidade Estácio. Liderou a equipe de criação do Índice de Qualidade de Exposição na Mídia, o IQEM, da CDN Comunicação Corporativa, em 2002. Iniciou a atividade em análise e auditoria de imagem em 1995 e desenvolveu trabalhos para mais de 240 marcas de todos os setores da economia para empresas brasileiras e multinacionais, bem como do poder Executivo federal e estadual. Atuou em consultoria com foco em planejamento estratégico, gestão de crise, fusões e aquisições. Jornalista de economia há 35 anos, foi editora de conjuntura e macroeconomia da Gazeta Mercantil, diretora da agência Dinheiro Vivo, repórter especial da TV Globo, Rádio Globo, Rádio Excelsior (atual rede CBN), Abril Vídeo. Tem formação em psicanálise.