A resposta mais direta, segura e simples de ser dada para esta pergunta é “sim”. Já o “como” é um pouco mais complicado porque vai mexer com muitos egos. Basta querer, não temer o risco, convidar muita gente diferente para o desafio e usar todo o potencial dos nossos dois ouvidos. Aposto que muita gente vai parar de ler este artigo por aqui mesmo, afirmando que isso é utopia ou só daria certo em agências bem pequenas, nacionais, recém-criadas e sem clientes com marcas poderosas.

Ao longo de mais de duas décadas de vida em comunicação corporativa, em pequenas e grandes agências nacionais e internacionais, atendendo organizações de diversos portes, com marcas valiosas e em ascensão, conheço todas as justificativas para que se mantenha o modelo atual. E é exatamente por isso que faço este convite para pensarmos diferente numa tentativa de reinventar o setor de PR, pois todos concordam que do jeito que está não é possível continuar, não é mesmo?

Vou começar a reflexão pegando o exemplo de uma dinâmica que o Oswaldo Oliveira, um estudioso de modelos organizacionais livres e autogeridos, costuma dar em seus workshops disruptivos. A atividade é muito simples, mas sempre agita bastante nossos neurônios.

Em resumo, ele pede para uma pessoa do grupo se fingir de CEO e os outros se posicionarem ao redor dele, na posição que quiserem, imaginando que fossem da mesma empresa. E aí o povo vai se espremendo porque todos querem ficar bem pertinho da chefia. Nesse momento, Oswaldo nos pede para analisarmos os nossos sentimentos, o quão confortáveis estamos naquela posição e o que somos capazes de enxergar no atual campo de visão. Poucos minutos que duram uma eternidade, angústia total. Fechamos os olhos, viramos a 180 graus e vem outra provocação: o que vemos agora? O que sentimos agora? E o mundo se abre, enxergamos o horizonte e uma rede gigantesca de conexões possíveis, já que estamos ali todos interconectados, como uma grande teia. A angústia some.

A conclusão dessa dinâmica é a reflexão que trago para o mercado de comunicação corporativa. De dentro das agências é possível sim se conectar com outras empresas, profissionais ou pessoas físicas de qualquer lugar do mundo em torno de um objetivo comum. E não só para aqueles momentos de grandes concorrências, planejamentos anuais ou crises. Mas ter isso como um pensamento sistemático, embutido na rotina. 

Reveja a estrutura de equipe

Todos devem ativar suas conexões diretas e indiretas, esqueça a hierarquia e as estruturas de atendimentos atuais. Pense que cada um de nós somos um elo de uma imensa rede de pessoas com conhecimentos e experiências de vida variados. Deixe a informação circular entre elas, a atração para o trabalho conjunto virá de forma natural. É como ímã.

As atuais estruturas altamente hierarquizadas e departamentalizadas das agências de PR, com escopos de trabalho engessados e sem levar em conta os talentos individuais e suas conexões externas, matam o potencial criativo de onde isso deveria borbulhar.

É fundamental derrubar as paredes internas e externas das agências. Misturar times de acordo com seus propósitos, acabar de vez com a censura de ideias, estimular todos funcionários a estreitarem e conhecerem melhor seus atuais contatos, conectá-los uns aos outros.

E qual seria o investimento financeiro para esta transformação organizacional? Zero! Estamos falando de mudança de atitude, de enxergar as possibilidades segundo o conceito de abundância, de abrir as portas para o desconhecido, ouvir e ver o novo. Convide seus clientes para participar deste processo e trazer suas conexões.

Lembrando que este caminho é cheio de surpresas, ou um papel em branco onde cada um desenha um pedacinho da história.

Sobre Suzeli Rodrigues Damaceno

Especialista em comunicação, marketing e inovação colaborativa.Tem 20 anos de experiência em comunicação corporativa, atendeu grandes marcas de diversos setores e já passou por todas as áreas de grandes agências, incluindo planejamento e novos negócios. Trabalha atualmente como gestora independente de projetos de comunicação e marketing, é coordenadora do movimento Web para Todos e parceira da Inova na conversa!, empresa de inovação colaborativa.