Desde o segundo trimestre deste ano, os indicadores econômicos em seu conjunto mostram que a economia brasileira entrou em processo de recuperação, ainda frágil, mas que tende a se consolidar. A crise econômica eclodiu em ambiente de aumento da intervenção do estado na atividade econômica, agravado pelo início da operação Lava Jato, grandes manifestações populares e uma campanha eleitoral agressiva. Outro fator relevante a prejudicar o desempenho econômico foi a crise hídrica que reduziu a produção e elevou os preços de alimentos e a inflação. Finalmente, convém mencionar a rápida deterioração das contas externas afetadas pelos problemas internos já mencionados e por uma conjuntura internacional adversa.

A melhora recentemente registrada nos indicadores econômicos pode ser atribuída a fatores como o ganho de consistência da política econômica a partir de 2015, a melhora na interlocução entre executivo e legislativo federal, após a posse do presidente Temer, e ao encaminhamento mais expedito das investigações no judiciário, com destaque para a Lava Jato. Também merecem ser destacados a recuperação econômica nos países desenvolvidos, que tem afetado positivamente as contas externas, e o fim do efeito do “el niño”, no segundo de 2016, que amenizou a crise hídrica.

O primeiro fundamento econômico a mostrar tendência a ajuste foi o déficit externo em transações correntes, ainda em 2015, apesar do rebaixamento do “rating” do Brasil em setembro daquele ano. A seguir, a partir de setembro de 2016, devido à valorização do real, à superação do choque corretivo de preços- aumento de tarifas, aumento de impostos e redução de alguns subsídios- e à elevação dos juros básicos, a inflação iniciou tendência persistente de queda. Mais recentemente, em 2017, a atividade econômica depois de dois anos de retração iniciou um processo ainda frágil de recuperação. O desemprego foi o último indicador econômico a apresentar melhora.

Um aspecto importante da atual conjuntura é que as projeções de inflação, divulgadas semanalmente pelo Bacen para este e o próximo ano, vêm apresentando tendência de queda, com probabilidade elevada de situarem-se em percentual inferior a 3% neste ano e a 4%, em 2018. De outro lado, para este e o próximo ano, os indicadores de atividade econômica têm sido revistos para cima, com previsão de crescimento do PIB de cerca de 1% e de 3%, respectivamente. Isto com a manutenção de uma situação confortável das contas externas. Mais importante, inclusive com relação ao seu impacto eleitoral é a perspectiva de intensificação da tendência de queda na taxa de desemprego, que pode situar-se ao final do próximo ano em patamar de um dígito.

Em uma perspectiva de longo prazo, o ritmo de crescimento, mantido o controle inflacionário e das contas externas, está condicionado ao processo e aos resultados das eleições de 2018, que por sua vez deve ser influenciado pelo ritmo da retomada da economia após uma das mais profundas e duradouras crises da história republicana, só comparável em gravidade às crises do início os anos 30 e dos anos oitenta do século passado.

Sobre Heron do Carmo

Consultor fixo da equipe .MAP, participou da criação do Índice de Impacto e Perspectiva, o IP e do IQEM, Índice de Qualidade de Exposição na Mídia, para a CDN Comunicação Corporativa. Economista da USP, é professor livre-docente na FEA desde 1985, membro do Conselho Curador da FIPE e do Conselho Consultivo do IBGE. Diretor do Índice do Custo de Vida da FIPE/USP por 25 anos. É consultor em econometria, tratamento de informação, elaboração de indicadores macro e microeconômicos. É responsável pelos Cenários e Perspectivas da .MAP.