IP Brasil recua para 31% em agosto. Melhora dos indicadores econômicos ainda não muda percepção da sociedade

O mês de agosto se caracterizou pela melhora dos indicadores econômicos e consolidou a aposta dos analistas no

O mês de agosto se caracterizou pela melhora dos indicadores econômicos e consolidou a aposta dos analistas no fim da recessão. Dados e discursos, contudo, não foram percebidos desta forma pelo público. Ao contrário, as manifestações entre os temas da economia não ultrapassaram os 15% de positividade. Desemprego dominou o debate econômico e sustentou zero de aprovação. Em nível de crise também estão os temas relacionados à política, concentrados no Governo Temer, com manifestações desfavoráveis oscilando entre 12% para os formadores de Opinião e 7% para o público em geral analisado pela agência de análise .MAP. Bem-estar, entre os três grandes assuntos avaliados é o único da Agenda Nacional a estar acima do nível de crise de 35%. Ostenta, entretanto, modesto 37% de opiniões favoráveis. Os três grandes assuntos que compõem o Índice de Positividade do IP Brasil Opinião sintetizaram que as percepções da sociedade pioraram em agosto: há um recuo de 34% positivos, em julho, para 31%.

Agosto marca também a consolidação de uma nova pauta de discussão. O predomínio, há 2 anos, do debate político entre 60% a 70% do universo das opiniões analisadas, se reduz para os atuais 50% e a pauta de bem-estar não apenas cresce para 33% como se diversifica. Educação monopolizava a discussão, que agora dá lugar também para várias dimensões da diversidade, violência, e críticas à qualidade do transporte público.

A diferenciação da pauta não se limita aos temas, mas aos públicos. Enquanto o desemprego, persiste como central na opinião pública, a falta de vagas para o trabalhador não alcança os 10 mais para o formador de opinião, como indica a tabela abaixo. Rombo fiscal é o terceiro tema de maior interesse. Ele causa desemprego, mas a comunicação precária do governo, equipe econômica e economistas não consegue levar associar o déficit ao emprego e levar esse conteúdo às redes.

A pauta da diversidade, além de frequente, avança nas redes sociais para o debate menos generalista. Desce ao detalhe de cada universo, até mesmo porque o público em geral não fica apenas no debate do conceito. Vivencia na pele o machismo, o feminismo, a homofobia e o racismo.

Violência é outra questão que encontra seu lugar em 2017 e tem no mês de agosto sua consolidação. Os eventos das Forças Armadas no Rio e a contabilidade de policiais mortos ampliam o debate, que não esquece, contudo, novamente do cotidiano. Assim, como mostra o gráfico abaixo, assaltos ficam na terceira colocação entre as maiores queixas.

Temas de maior repercussão em Bem–Estar

Índice de Positividade e Impacto

 

Sobre Marília Stabile

Sócia e Diretora Geral da .MAP, jornalista, liderou, em 2014, a equipe de criação do Índice de Impacto e Perspectiva, o IP. Coordena a análise editorial de economia e política e a auditoria de imagem de empresas como Souza Cruz, Gol, Vale, ANBIMA, Santander, B2W, Submarino, Shoptime, Soubarato, Lojas Americanas, Roche, Ministério do Planejamento, Governo de São Paulo, Roche, Universidade Estácio. Liderou a equipe de criação do Índice de Qualidade de Exposição na Mídia, o IQEM, da CDN Comunicação Corporativa, em 2002. Iniciou a atividade em análise e auditoria de imagem em 1995 e desenvolveu trabalhos para mais de 240 marcas de todos os setores da economia para empresas brasileiras e multinacionais, bem como do poder Executivo federal e estadual. Atuou em consultoria com foco em planejamento estratégico, gestão de crise, fusões e aquisições. Jornalista de economia há 35 anos, foi editora de conjuntura e macroeconomia da Gazeta Mercantil, diretora da agência Dinheiro Vivo, repórter especial da TV Globo, Rádio Globo, Rádio Excelsior (atual rede CBN), Abril Vídeo. Tem formação em psicanálise.